domingo, 2 de agosto de 2026

Sem sexo sim, sem orgasmos jamais!


São só alguns segundos, onde o sangue circula ruborescendo a pele, disparando o coração e pulsando locais que nem imagina pulsar de forma intensa e involuntária, e esse energia se espalha por todo corpo que por milésimos de segundo, e por um momento você perde o controle racional e pensa que será o fim, você não resistirá àquela descarga de energia tão incrível e prazerosa! E logo após aquela quase morte que te deixa em êxtase absoluto você é desligada e relaxa por inteiro.
Por muitas décadas as muitas mulheres foram impedidas de sentir a plenitude dessa sensação e proibidas até mesmo de se tocar e se olhar de forma mais erótica, ela era apenas o instrumento de prazer masculino e o objeto de procriação da humanidade e como mãe era até pecado sentir prazer ou pensar nele de forma autônoma e prazerosa.
Com o empoderamento feminino e descoberta do sexo como um prazer natural, saudável e necessário, acompanhada ou não, nos revelou possibilidades e liberdade para querer o que quisermos! 
A necessidade de um parceiro passou a ser uma opção.
Claro que o sexo a dois é maravilhoso, nada substitui ou substituirá o acolhimento, o calor e ritmo dos corpos, a sensação de acolhimento de adormecer no peito do ser amado e acordar com um beijo quente, já confundindo as pernas como descreve lindamente Chique Buarque e Tom Jobim, angelicalmente cantada por Zizi Possi:
"nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu..."

 E nessa mistura de pernas e braços, cabelos, suor e uma sonolência quase infantil fica tudo perfeito.
Mas nada impede de termos essa sensação prazerosa de forma autônoma e individual, e tenho que discordar da Tom Jobim nessas horas e dizer que é possível ser feliz sozinha SIM, e bem feliz!
Mas toda essa falação é só pra afirmar que o prazer está em nós, os homens tiveram o privilégio de descobrir isso muito cedo, mas o prazer está no cérebro e em cada parte de nós, basta relaxar e explorar.
Hoje temos o privilégio de não nos importar mais com a opinião ou pensamentos dos outros, depois de tantos imposições temos a alegria e liberdade de escolhermos quem queremos na nossa vida para partilhar a vida, o sexo e tudo mais.
Porque sexo também é partilha, é partilhar uma energia única e sua, então é de essencial importância saber com quem você partilha esse momento ou se prefere curtir o momento sozinha quando quiser, onde quiser e do jeito que quiser!
O importante é sentir, pois somos energia e sentidos!
Que nos conheçamos o suficiente para sentir e saber o que nos faz feliz!

Graziela Morais


Família a gente não escolhe!

 

Família a gente não escolhe! 
Consequentemente, diferente do que nos foi ensinado, não é pecado ou crime não amar aquele tio que nem sabe seu nome ou aquela parente que só se aproxima quando quer algo, ou mesmo aqueles parentes, ou parentela, como diz uma amiga, que fazem comentários horríveis em festas e encontros de família ou depreciam e menosprezam cada pequena conquista que é tão importante para você!
Família é afinidade, carinho, reciprocidade.
Certa vez ouvi uma frase que nunca mais esqueci:
ONDE NÃO HÁ RECIPROCIDADE, NÃO SE DEMORE!
Assim o fiz e é libertador!
Muitas vezes fazermos parte de um ciclo genético, que muitas vezes não nos sentimos parte, mesmo que a genética, a aparência e os traços sejam semelhantemente fortes, e a medida que envelhecemos essas questões físicas e a carga genética até mesmo manias e doenças comuns da família ganham seu papel de destaque, mas querer bem, cuidar e amar é outro história.
Mesmo estando cercada de gente que tem o mesmo sangue, muitas vezes você se vê ali perdida naquele meio inadequado e desagradável com a o sentimento de zero pertencimento naquele lugar.
 E depois de uma certa idade você entende que é normal não pertencer e o seu lugar é onde você se sente em paz, acolhida e feliz!
Reciprocidade e afinidade sem isso não há como criar verdadeiramente vinculo!
É no dia a dia que vamos criando vínculos de alma, fazendo amigos que verdadeiramente te fazem bem e que merecem o seu amor e atenção!
Não é na felicidade e sucesso que você sabe quem te ama e faz parte da sua vida!
E na dificuldade, no perrengue e no choro que você sabe quem está ali, quem você pode contar!
Como diz Dra.Ana Claudia Quintana nos livros e conversas que ela divulga, é no momento que você precisa ir a um hospital ou precisa realmente de alguém, que você vê quem está ao seu lado para o que der e vir!
E é assim que vamos diminuindo, como um triangulo invertido ou um funil, seu ciclo de amizades até chegar aos que podem ser contados na palma da mão!
Dessa forma a família é a que escolhemos e construímos ao longo dos anos, aquela que está nas nossas orações diárias, é a que segue conosco até o ultimo respirar!
Não adiante deixar os elogios e admiração para o dia do velório, o carinho, reconhecimento e amor tem que ser ditos e demonstrados todo dia como se cada dia fosse o último, pois pode ser mesmo de verdade, então empatia, carinho e reciprocidade é agora, é todo dia, é uma vida inteira!
O resto, são tradições inúteis e desperdício de tempo de vida!
Pense nisso, filtre seus contatos e tira toda toxicidade de sua vida!
Como diz Andréa Vermont, você e sua vida são um solo sagrado, não deixe ninguém vir jogar o lixo dela em seu solo, deixa na sua vida só quem realmente te queira bem ou partilhe com carinho a existência dela com a sua!

Graziela Morais


Desistir ou descansar? Eis a questão!

Quando o cansaço é extremo nosso primeiro pensamento é DESISTIR!

Não fomos ensinados a DESCANSAR, respirar e recomeçar!

Desistir é mais fácil e nos traz a sensação imediata de satisfação e paz, pois dessa forma tudo fica no mesmo lugar que sempre esteve, nada muda, já que a mudança dói!

A questão é que desistir nos dá essa sensação boa momentânea, mas logo o cérebro já se rebela e percebemos que só houve um adiamento de um problema que está ali, debaixo do tapete aguardando uma decisão.

Descansar e admitir que precisamos de uma pausa, é um processo diário e dolorido para uma geração que nasceu cobrada desde sempre... 

Fomos cobrados desde o ventre, temos que crescer, temos que ser produtivoS, temos que ajudar, temos que ser ágeis, temos que estudar muito, temos que ser ricos, temos que ser bem sucedidos, temos que nos destacar, temos que estar muito bem informados. Numa geração sem internet, ser bem informado nos dava o status e o destaque máximo... aquele que estava atento a tudo 24hs e sabia tudo que estava acontecendo no Brasil e no Mundo. 

Agora não há mais possibilidade alguma de estarmos "bem informados" já que a informação vem como uma metralhadora no peito chegando em segundos diária e violentamente, fugindo do nosso controle e conhecimento tamanha velocidade e praticidade, sempre ao alcance da mão, em nossos celulares, e agora com a agravante que ser uma informação verdadeira ou não o que nos faz perder mais tempo ainda para saber se procede ou é IA ou Fake News.

Na minha geração, ser multitarefa era lindo, uma pessoa ligada no "220W" e fazia muitas coisas ao mesmo de tempo de forma rápida quase insana! Palmas para ela! 

Hoje essa função multitarefas só nos traz Burnout e estresse, nos impedindo de focar no que realmente importa!

Sempre ouvimos que parar é coisa de gente preguiçosa, e temos que estar sempre freneticamente em MOVIMENTO! 

Hoje temos sim que estar em movimento, mas não ignorando nossos limites, mas sim aprendendo coisas novas, focando nossos projetos para que os nosso cérebro entenda que há muito ainda para viver e nos permita seguir com a mente ativa, saudável e feliz!

Muitas pessoas, principalmente nessa nova geração, tem muita dificuldade de ficar em silêncio. Nitidamente perdemos a capacidade de observação e paz interior e ficar em pausa ouvindo o som do nosso próprio coração ou batimento cardíaco por alguns minutos ou segundos. Silenciar ficou, para muitos, é um terror, um pavor, acompanhada da sensação de "perda de tempo" ou mesmo que estarmos ficando "para trás"... Atras de quem??? Do que???

Se nos colocarmos como referência única, de forma generosa e empática, veremos nossa evolução e progresso diário, porque se formos pegar a vida de qualquer outra pessoa para fazer esse comparativo, realmente estaremos sempre em desvantagem histórica, pois cada um tem seu processo e nos comparar será sempre um grande fiasco e fracasso, até porque ninguém posta ou fala das suas derrotas pessoas de forma sincera, o que é informada é sempre as vitórias, conquistas e ostentações então não há como saber o ranking de igualdade que imaginamos.

Ouvir o som do nosso próprio respirar e esperar que a resposta que procuramos é um caminho que nos presenteia sempre com bons resultados.

A necessidade de estar sempre falando e cercado de pessoas, em ambientes lotados e barulhentos e ruidosos, nos impede de ter esse momento com nós mesmos tão importantes para achar caminhos ou possíveis soluções e não desistir do que queremos. 

Nos livrar dos anestésicos e paliativos que nos entorpecem e nos tiram da realidade só nos fazem nos perder de nós mesmos e nos fazem seguir hipnoticamente junto da manada num fluxo inútil e sem sentido.

PARAR PARA SE MANTER EM MOVIMENTO, hoje faz todo sentido, pois parar diante do caos e dos momentos doloridos da vida que parecem nos sufocar nos faz retornar, retomar e sentir o que devemos fazer porque no fundo todas as respostas já estão em nós, só precisamos de paz para ouvir.

Nem tudo está sob nosso controle, e essa percepção nos faz perceber o que realmente vale os nossos esforços e energia vital gasta diariamente.

O movimento consciente nos mostram que estamos vivos e presentes em nossa própria existência, mas a pausa ou o parar estratégico e simples, nos RECONECTA com nossa própria essência e propósito de vida!

Então, SILENCIE, respire, se ouça, siga em paz fazendo o que é possível sendo feliz no processo seja ele qual for!

Graziela Morais

terça-feira, 21 de outubro de 2025

A IA e sua assinatura - Treinando o robozinho a décadas

 

  


Desde que a internet surgiu, ainda me lembro os primeiros sentimentos ao ouvir o barulho ensurdecedor da discagem ou a emoção do primeiro e-mail ou conversas nos chats abertos, nós seguimos na missão de treinar essa "inteligência" que é artificial, mas que tenta clonar nosso olhar. 

Muita gente hoje faz tudo com IA, principalmente pra divulgar e implementar seus produtos e serviços. Muitas pessoas, no automático total, deixam passar a "assinatura" dessa IA que é super inteligente, mas sempre deixa sua marca, um dedo a mais, um detalhe obscuro que muitas vezes só percebemos quando damos zoom, códigos estranhos nas imagens, expressões confusas etc. Uma assinatura quase imperceptível, e no fundo não sabemos se é um bug mesmo, um errinho bobo ou se ela está só brincando conosco, tentando ser divertida. 

Mas os que não são detalhistas não percebem ou não ligam para essas pequenas imperfeições diante do efeito e praticidade que ela representa hoje!

O fato é que as grandes plataformas, não citaremos aqui por conta do algoritmo que nos observa como uma grande Matrix, nos faz de cobaias e objeto de estudo para usar contra nós, quem sabe, utilizando o nosso saber e sentir, nos fazendo consumir e emburrecer cada dia mais ao longo dos anos, de forma que tenhamos cada vez mais dúvidas e sejamos cada vez mais dependentes dessa "ajuda" rápida e já necessária.

Me lembro de que a décadas atrás sabíamos endereço, cep, nome e telefone dos amigos, sem necessidade de agendas ou outro recurso, a mente era mais ágil e fluída, hoje não pensamos, é muita informação e estímulo para um único cérebro e toda dúvida que nos surge não buscamos mais no nosso HD pessoal, corremos para as plataformas diversas, e agora temos uma ajuda extra dos "Chats-Inteligentes" que tiram todas as nossas dúvidas como um especialista universal, quase divinal. 
O que muita gente não percebe é que no fundo os nossos "Chats-inteligentes" também ficam confusos e o que eles não sabem eles inventam, principalmente na versão gratuita, que é o que mais tem sido utilizado pela maioria. Os mais jovens estão realizando até análises e terapias com o amigão chat, o que torna tudo mais perigoso, porque ela vai analisar o que quer saber e te dará a resposta que quer ouvir baseado no que você fornece a ele, dessa forma não há reflexão ou debates e sim uma "terapeuta que só dirá o que você quer ouvir" e o problema em si permanecerá lá intacto e não tratado como se deve, e mais triste ainda, sem o abraço do terapeuta no final da consulta, que muitas vezes conforta e cura.
 
O segredo da resposta exata, segundo os mais entendedores, é um "prompt" pois quando achamos a resposta duvidosa e aprofundamos mais nos sites oficiais pegamos nosso amigo "chat" na "mentira".
Então os especialista, quando citamos algum erro logo falam, fez a pergunta errada, ele é perfeito, melhore o "prompt":
"Um prompt é uma instrução, comando ou pergunta em linguagem natural que você dá a um sistema de inteligência artificial (IA) para que ele execute uma tarefa, como gerar textos, imagens, vídeos ou códigos. Funciona como a ponte entre o usuário e a IA, sendo que quanto mais claro, específico e completo for o prompt, mais precisa e relevante será a resposta da IA. "

É um caminho sem volta.
Tanto da informação que escorre cérebro abaixo quanto ao fator dominador que eles aperfeiçoam a cada segundo enquanto levamos nosso vidinha rotineiro e monótona de deslizadores de dedinho no celular.

Yuval Noah Harari diz em seu livro "Nexus":
"Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também andamos nos dedicando à criação de novas tecnologias, como a inteligência artificial (ia), que podem escapar de nosso controle e nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça. Se nós, sapiens, somos tão sábios, por que somos tão autodestrutivos? Num nível mais profundo, embora tenhamos acumulado muita informação a respeito de tudo, de moléculas de dna a galáxias distantes, toda essa informação não parece nos ter dado uma resposta para as grandes perguntas da vida: quem somos? A que devemos aspirar? O que é uma vida boa e como devemos vivê-la?
Yuval Noah Harari - Nexus_ Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial -Companhia das Letras (2024)

E assim vamos seguindo com pouca reflexão e sendo engolidos pela tecnologia, tecnologia esta que alguns já se adaptaram e estão a utilizam/ganhando muito bem, enquanto outros só consomem se divertindo deslizando seus dedinhos nos smartfones cada vez mais rápidos e viciantes, e fazendo vídeos de bebês que nos fazem rir e nos deixam um pouco fora da realidade dura e cruel que nos impõe a jornada exaustiva.

Claro que há um grupo que vem fazendo o caminho inverso, desprezando a exposição das redes, onde há uma ação de retomar rotinas básicas, orgânicas e vitais, lendo, admirando a natureza e tentando criar memórias reais fora das telas, mas ainda é um percentual pequeno em relação a enormidade que segue hipnoticamente em busca de likes.

Segundo reportagem da BBC de julho desse ano:
"Pesquisas recentes indicam que cerca de um terço de todos os usuários de redes sociais postam menos do que um ano atrás. E esta tendência é especialmente presente entre os adultos da Geração Z (os nascidos entre 1995 e 2010)."


Hoje, depois de quase 30 anos de contato com a internet percebemos que as desvantagens em postar nossa rotina é muito maior que as vantagens, pois informando ao mundo nossa vida, estamos concorrendo, desnecessariamente, com todo o esgoto aberto de inutilidades que vemos em vídeos sem conteúdo, bobos, excessivos, onde o povo com o argumento de humor muitas vezes expõe avós, mães, pais, filhos e pets chegando ao desconforto e ao ridículo para ganhar likes e R$ na conta. Lembrando que cada emoji ou interação nas redes só reforça e segue de forma estatística para sejamos cada vez mais desnudados e seduzidos em nossos desejos mais íntimos, recebendo informações e imagens cada vez mais precisas do que queremos consciente ou inconscientemente consumir... 

Não generalizo, mas muitas vezes é um entretenimento que faz um desserviço ao invés de alertar ou ajudar quem realmente precisa.

Claro que estão acontecendo em paralelo, coisas boas e benéficas também, em meio ao caos. 
Alguns especialistas que nunca teríamos acesso, hoje em suas redes nos dão dicas de saúde física e mental, compartilham suas vivências e experiências reais, trazendo informação de qualidade e confiável.
Mas o percentual desses benfeitores reais ainda é pequeno, mas felizmente eles existem e fazem a gente ficar com o coração quentinho recebendo informação que realmente ajudam quem precisa. 

Nos resta então ter sensibilidade para separar o joio do trigo e adaptar a nossa realidade.

Como todos os desafios tecnológicos que chegaram ao longo dos séculos a pergunta vem: 
Onde isso tudo vai parar ou no que vai dar?
Não sabemos ao certo, porque o processo é dinâmico e o ser humano é instável e manipulável.
Só nos resta tentar manter o sanidade e tranquilidade para tentar discernir e diferenciar o fato do fake e seguir um dia de cada vez, na esperança de dias melhores, sem ser objeto de estudo ou cobaia de nada ou de ninguém, ou de quem está por trás das IAs. 

O importante é continuarmos sendo e sentindo como seres vivos, conscientes da nossa existência e da nossa importância nesse planeta, sendo parte, seguindo nosso propósito e tornando nossa existência e convivência um aprendizado bom e evolutivo para quem fica depois de nós e não destruindo tudo a nossa volta como tem sido feito, num desrespeito eterno ao ambiente que vivemos.

Ailton Krenak fala em seu livro "Ideias para adiar o fim do mundo" que "Nós não somos as únicas pessoas interessantes no mundo, somos parte do todo."

Somos natureza e como tal somos únicos, intensos, frágeis e finitos. 

A tecnologia virá e avançará, mas nossa essência, humanidade, gentileza, generosidade, originalidade e precisão de agir instintivamente com amor e empatia isso não poderá ser clonado ou copiado.

 
Graziela Morais


domingo, 17 de agosto de 2025

Vergonha alheia - Aprecie o silêncio sem moderação!

 

Não tem nada para falar, não fale! 

Na falta do que dizer fique mudo, calado, deixe o silêncio atravessar você e respire a paz que essa ausência de som te proporciona!

Quando mais jovem falava muito, o tempo todo, o silêncio me assustava e falar era para mim libertador, pois eu sentia necessidade de falar e nunca deixar brechas. Era como se o silêncio revelasse a solidão e tristeza que invadia minha rotina e deixasse transparente para todos a minha volta o lado monótono e sofrido da minha existência sem graça e problemática, então eu falava, falava e falava. Era o escape para mostrar felicidade, bom humor e alegria a todos que me cercavam. 

O lado ruim de tudo isso é que mesmo sendo boa ouvinte acabava partilhando momentos e intimidades que volta e meia me colocavam em situação de vulnerabilidade, dando margem a alguma fofoca ou comentário maldoso que muitas vezes nem sabia de onde vinham ou de onde haviam surgido, muitas mentiras e enredos que muitas vezes nunca soube o desfecho por conta de falar muito e me abrir para pessoas erradas e desequilibradas emocionalmente. 

Em uma época que ainda não existia haters ou redes sociais tão presentes, a fofoca era o canal que traçava a discórdia para os falantes de plantão.

Então um simples desabafo com alguém que se fazia de amigo era o suficiente para iniciar uma história desencontrada e perigosa. E como um telefone sem fio do diabo a falação mentirosa corria solta, sem provas ou prints, apenas um "me disseram", "eu ouvi ela dizer", "ela falou que"...

Mas a maturidade é linda e chega para quase todos...Alguns vão morrer sem se deliciar com ela, mas para quem tem sorte de recebê-la, em qualquer idade ou momento, ela chega transforma e ressignifica tudo. E quando vem ela nos trás paz e discernimento, nos fazendo enxergar tudo de forma leve, clara e quase inacreditável. Não perdemos mais tempo, nem energia vital falando sem necessidade, tudo começa a fazer sentido.

Dai vem aquele pensamento, " se eu tivesse a maturidade emocional que tenho hoje aos 25 anos tudo teria sido mais leve e diferente"! Mas não tem como pular etapas, tudo que vivemos, de certa forma, foi responsável por quem somos hoje e agora, então a famosa maturidade vem quando estamos preparados para entender e absorvê-la como uma sabedoria divida que nos faz melhor!

E a vida vai seguindo o curso orgânico de sempre, devagar, e estar vivo e com saúde é uma dádiva, e as ações valem mais que as palavras! Amar sem agir, só falando ou escrevendo nas redes sociais, não faz sentido, amar agindo no dia a dia e nos pequenos gestos é o que importa! Falar todos nós falamos desde que aprendemos a primeira sílaba, mas o agir em silêncio, fazendo sua parte como ser humano ético, gentil e sábio é o que faz diferença na humanidade... 

E como diz a música, pois estaremos aqui menos falante na busca diária da paz e da evolução que nos alimenta a alma, seguimos amando e evoluindo "até quando Deus quiser"!

Então...faça silêncio e sinta o movimento da vida que se apresenta em silêncio e em paz, nos bastidores, no dia a dia, em cada amanhecer! Ninguém precisa saber tudo ou emitir opinião sobre tudo, no fundo ninguém quer saber sua opinião, sua opinião muitas vezes só é importante para você! Você não é o centro do universo como o lindo "alecrim dourado" é só mais um ser amado por Deus que terá o privilégio de partilhar sua existência nessa jornada chamada vida! 

Graziela Morais

sábado, 26 de julho de 2025

A alegria e o prazer de não fazer NADA...

 


Fazer NADA é libertador!!

Num mundo onde temos que fazer milhares de coisas por segundo, não fazer nada, nos devolve a paz!

Por muito tempo eu achei que fazer nada era inadmissível, pois revelaria coisas como preguiça, procrastinação, burrice, inércia entre outras bobagens, mas mesmo em meio a agitação do dia inevitável, temos que reservar nosso tempo de "fazer nada", pois além de necessário ter nossos momentos de pausa, o cérebro também cansa e entra em colapso pelo excesso de escolhas. 
Nenhuma sobrecarga nos faz bem, apesar do mundo trabalhista e os Coachs dizerem o contrário em suas palestras milionárias.

Desconectar, parar, pausar, é fundamental para se manter em movimento!

Descobri tardiamente, depois de uma vida de ansiedade e hiperatividade, que não somos uma máquina e que nosso corpo e cérebro precisam de pausas para produzir e seguir saudável.
Claro que pausa não tem nada a ver com falta de atitude ou algo que nos impeça de agir quando necessário, mas fazer nada e respirar consciente, conseguindo ouvir os pássaros e o som da natureza nos beijando o rosto, nos devolve para um ambiente que é nosso, e que nos reconecta com a vida!

Quando estressados não conseguimos mais ouvir nem mesmo o som do nosso próprio batimento, perdemos a sensibilidade e paz, e é isso que devemos evitar.

Não precisamos estar diante de um lindo mar azul nas ilhas Maldivas pra sentir Deus. Podemos sentir a sensação de paz e amor de Deus em qualquer lugar, num parque ou mesmo sentada num banco da praça vendo o movimento e sentindo os sons que nos cercam, basta estarmos abertos para sentir essa paz respeitando nossos limites! A escolha é nossa sempre!

Parar, pra se manter em movimento! Ressignificar o "NADA"  e nos reconectar com a vida e com a paz que temos dentro de nós! Essa é a meta!

Graziela Morais

terça-feira, 15 de julho de 2025

Até que ponto viralizar é essencial para a vida?!

 


Recebi um vídeo desse garotinho, e ao pesquisar vi que ele tem hoje 525 mil seguidores só no Instagram e 6,34 mil inscritos no Youtube, já pode ser considerado um Mini-Influencer. 
A frase que faz a moçada rir é: “ah tem gostinho de maçã” - “sabe o que que tem gosto de maçã e é bem melhor? maçã porra”
Me disseram que ele é a nova sensação porque fala de forma engraçada, temas polêmicos, quase um "miniET".
Não consigo ver graça no vídeo, fiquei imaginado onde estariam os pais enquanto a criaturinha desbocada estava gravando? Estariam atrás das câmeras ou já largaram a criaturinha a vontade para forçar muitos likes e virais, já que hoje em dia viralizar é o caminho do sucesso! 
O perfil dele diz que é monitorado pelo pai... Enfim... Imagino que tenha 5 ou 8 anos no máximo, e nesta idade as crianças tem que brincar, ler, interagir com outros seres humanos da idade dele e não ficarem coladas num celular falando palavrão e dando opiniões polêmicas sobre assuntos diversos, por mais inteligentes que sejam.
Viver atrás de uma tela falando tudo que pensa é viciante e extremamente perigoso para a mente, pois do outro lado da tela sempre tem comentários que podem destruir a vida de uma pessoa adulta, quem dirá de uma criaturinha dessas que mal saiu das fraldas e tem a vida toda pela frente para errar, acertar e aprender. Um desperdício de energia vital.
Como Geração Z, ele já nasceu no digital, e é natural e orgânico essa dependência da tecnologia, mas a dependência de aprovação e likes é opcional e esse filtro deve ser feito pelos pais, já que nesta idade a criança pode até saber se posicionar diante do celular, mas não responde ainda pelas bobagens que pensa ou fala... 

Saiu em uma reportagem na BBC em 2019:


E essas restrições dos nossos gênios e criativos do século não são a toa, eles sabem do mal que a tecnologia faz com o cérebro humano e que crianças em fase de crescimento precisam exercitar o cérebro de forma criativa nesse período, qualquer Neurologista concorda com isso hoje em dia.
E sim, não tenho lugar de falar por não ser mãe, mas sou tia, e já criei e convivi com muitas crianças e sei exatamente o efeito maléfico das telas na vida de todas elas.
Não precisa ter lugar de fala para saber o que faz bem ou mal para nós e para uma criança é só observar! Nos dias atuais estamos perdendo a sensibilidade de ver o que está a nossa frente. 
As reações e consequências estão aí, mas muitos preferem varrer para debaixo do tapete e ignorar.
Certa vez estava numa sala de espera com minha mãe, e havia do nosso lado uma mulher com uma bebê recém nascida no colo e ao primeiro sinal de choro ou desconforto a mãe, jovem, logo tirou o celular e colocou um desenho dinâmico e barulhento para a bebê que não tinha nem 3 meses observar, bem perto dos olhos dela... Logo a criança hipnotizada parou, sem reação diante do colorido. A mãe alegou que a tela a acalmava... Não, não acalma... paralisa, abstrai a realidade e transforma o pequeno cérebro em desenvolvimento em uma "amoeba" só seguindo a onda e colorido sem saber o que fazer, ela não tem opção, só olha e abstrai a vida.
Segundo especialistas: "O uso de telas e celulares em excesso por recém-nascidos e crianças pequenas pode causar malefícios significativos no desenvolvimento, incluindo atrasos na fala, problemas de visão, dificuldades de aprendizado, problemas de sono, obesidade e impacto na saúde mental"

É uma triste realidade que nos assola diariamente. 
Antes usávamos chupeta ou mesmo, como contam os antigos idosos, as mães da roça que precisavam fazer seus serviços domésticos,  faziam trouxinhas de tecido com açúcar dentro para as crianças chuparem e o docinho ia acalmando os bebes até dormirem. 
A verdade é que esses "calmantes improvisados" sempre existiram e existirão, mas nenhum é tão desastroso como as telas nos dias de hoje.

Experimentar a simplicidade do viver e do existir e coexistir com o universo e a natureza nos revela nossa humanidade e como é bonito fazer parte. Nos comprova de forma clara e simples que não precisamos viralizar para sermos quem somos, basta respirar e sentir a vida real como ela é.
Estamos deixando de viver o real para ter sucesso numa vida de likes sem sentido ou propósito totalmente fake, e só saberemos o resultado exato disso quando essa geração passar, pois o estrago feito será visto daqui um tempo, se não tomarmos consciência e corrigirmos hoje, infelizmente.

Por incrível que pareça existe vida fora das telas e é na vida real que tudo acontece de verdade!

Graziela Morais